Essa é uma pergunta frequente tanto de nossos alunos quanto daqueles que desejam criar cursos on-line. Por esse motivo, apresento neste post algumas orientações.

O Moodle é, no momento, o ambiente virtual de aprendizagem (AVA) mais utilizado no mundo. Atende grandes instituições de ensino, empresas, professores que desejam ter salas on-line para suporte de suas disciplinas presenciais, ou mesmo professores on-line independentes.

De início, é preciso dizer que não é recomendável instalar o Moodle em um micro pessoal, se o objetivo for criar um ambiente de produção, isto é, onde efetivamente serão oferecidos cursos. Ocorre que, em micros pessoais, não se obtém a mesma estabilidade que em um servidor comercial localizado em um data center (estrutura especializada em abrigar dezenas ou centenas de servidores web).

Instalar o Moodle em um micro próprio é um exercício interessante apenas para quem é da área de TI (tecnologia da informação) ou para aqueles que desejam se qualificar em TI, pois significa instalar e configurar também softwares para base de dados, protocolos www, servidor de e-mails, linguagens, etc., necessários para o funcionamento do Moodle.

Para oferecer cursos em um ambiente adequado, é recomendável manter o Moodle em um servidor web comercial, que cuidará da estabilidade das conexões, atualização de softwares, segurança, backups e manutenção da infraestrutura física e lógica 24 horas por dia. Servidores em data centers possuem também links de alta velocidade com a Internet, o que ajuda no bom desempenho dos sites que hospedam.

Se instalamos o Moodle em um micro local, somos nós que temos que garantir esses serviços, algo difícil para quem não é da área de TI.

A escolha de um servidor web para instalar o Moodle depende de seu nível de conhecimento e disposição para trabalhar com tecnologia, da disponibilidade de profissionais de TI em sua equipe (se você tiver uma equipe) e de quantos usuários você terá em seu ambiente de aprendizagem.

Estas são as principais alternativas:

1. Instalar o Moodle em um micro que fique dentro de sua escola, faculdade ou empresa

É uma opção viável se já houver um setor de TI com equipe capaz de manter equipamentos e software para servidores web. Para iniciativas pequenas e médias, não é recomendável criar tal equipe nem capacitar pessoal apenas para instalar o Moodle. Os custos não compensam.

Quando já se conta com profissionais de TI, eles podem, então, instalar o Moodle em um servidor web próprio. A vantagem é que isso não gera custos adicionais expressivos, se já houver infraestrutura para servidores web na instituição e enquanto não houver necessidade de expandir os recursos de hardware.

2. Instalar o Moodle em um servidor web comercial, em uma máquina compartilhada

Servidores web comerciais quase sempre mantêm sua infraestrutura de hospedagem de sites dentro de data centers que oferecem estabilidade e segurança para os sites que hospedam, serviços de backup automáticos e conexões velozes com a web.

Essa opção é interessante e viável se você, ou alguém com quem você pode contar, for um usuário avançado. Não é preciso ser programador, mas a pessoa deve estar disposta a dedicar tempo para aprender em linhas gerais como operam softwares instalados em servidores web, como usar painéis de controle de contas em servidores comerciais, perceber e diagnosticar problemas comuns, contatar o suporte técnico do servidor web, cobrar e acompanhar a implementação de soluções, etc.

Essa é a opção que fazemos na Livre Docência Tecnologia Educacional. Pagamos em torno de USD25 por mês por uma conta em servidor compartilhado com sites de outros clientes (www.liquidweb.com). É possível encontrar planos de hospedagem semelhantes pela metade desse valor, mas preferimos pagar mais pelo atendimento que recebemos.

Para nosso volume de usuários, esse tipo de conta é suficiente, pois temos no máximo 150 alunos em turmas ativas e, raramente, mais do que 20 deles acessam o Moodle ao mesmo tempo (são os acessos simultâneos que realmente importam, não o número total de alunos inscritos nos cursos).

Nosso limite de armazenamento é de 40 GB, mas estamos usando apenas 9 GB para o site institucional, Moodle e backups.

Nosso limite de transferência mensal é de 680 GB, e utilizamos em maio, por exemplo, menos de 2% disso com toda a atividade de todas as turmas (projetamos nossos cursos para que sejam leves).

Esses limites não são, contudo, o aspecto mais importante a considerar. É preciso que o servidor web contratado não superlote suas máquinas. De pouco adianta ter um limite grande de memória e transferência mensal, se a CPU que roda seu site hospedar um número muito grande de sites, ou de sites que sejam bastante ativos, com muitos visitantes.

Todos os servidores web afirmam que não fazem isso, mas é algo que só se descobre no dia a dia, quando experimentamos a hospedagem. Alguns servidores web asseguram, em seus contratos de prestação de serviços, a disponibilidade mínima de processamento garantida a cada cliente. Essa é uma condição que merece ser considerada por você ao selecionar onde instalará seu ambiente de cursos.

É preciso verificar se o site funciona bem, se as páginas carregam rapidamente e se os relatórios de estabilidade indicam que seu site se manteve no ar por um tempo expressivo durante o mês.

Usamos, por exemplo, um site de relatórios chamado www.pingdom.com, que indica que, nos últimos meses, o site da Livre Docência esteve funcionando 100% do tempo. Há meses em que esteve no ar 99% do tempo, o que ainda é aceitável. Os períodos offline ocorrem devido a atividades de manutenção no servidor web, ou por problemas técnicos no servidor, ou em sua conta.

Outro excelente site para medir o desempenho de seu site é o www.gtmetrix.com, que, mesmo no modo gratuito, oferece informações detalhadas sobre a velocidade de carregamento de um site.

Nosso servidor web não é especializado em Moodle, mas o seu atendimento é rápido e competente. Dispõe, como muitos outros servidores web, de um painel de controle chamado CPanel, que traz um instalador automático de softwares livres (Softaculous) e, entre esses, o Moodle. Com alguns cliques, é possível instalá-lo, e costuma funcionar bem. É preciso apenas fazer as configurações internas do Moodle. Isso você pode aprender por conta própria (não é tão difícil se tiver persistência). É possível também buscar tutoriais na web ou fazer cursos sobre as configurações do Moodle, ou, ainda, contar com o apoio de alguém que tenha experiência nisso.

Há, contudo, servidores web no Brasil que prestam bons serviços. É interessante buscar aqueles que:

  • Ofereçam boa relação custo x benefício.
  • Garantam em contrato os limites mínimos oferecidos para os planos de hospedagem.
  • Tenham suporte telefônico e por e-mail rápido e competente.
  • Hospedem os sites que gerenciam em data centers com boa infraestrutura.
  • Tenham o instalador automático Softaculous, que facilita a instalação de softwares livres, como o Moodle e o WordPress, que serve para construir sites e blogs.
  • Assegurem pelo menos o uso de 2GB de memória física e 2GB de memória virtual dedicada ao seu site. O Moodle funciona melhor assim.
  • Possibilitem que seu site tenha o limite de pelo menos 35 acessos simultâneos (entry processes). Isso é especialmente importante quando se usa o chat do Moodle, que demanda muitos recursos do ambiente.

Vale verificar, também, se o servidor web estabelece um limite diário ou por hora para o envio de e-mails (o que é uma tentativa de prevenir a prática de spam pelos sites hospedados) e, caso existam, quais são eles. Tais limites podem comprometer o funcionamento dos fóruns de discussão do Moodle ou o envio de e-mails para a divulgação de cursos, quando se tem uma lista de milhares de pessoas, entre os contatos, que aceitam receber sua divulgação de cursos. É preciso que você faça uma estimativa segura sobre quantas mensagens de e-mail seu site enviará por hora ou por dia (conforme a política do servidor web) e confirmar se está dentro dos limites indicados no contrato.

É recomendável, ainda, adquirir com seu servidor web um número IP dedicado para seu site e contas de e-mail. Desse modo, se outros clientes hospedados na mesma máquina enviarem spam, a sua conta não vai junto para listas de remetentes bloqueados na web. Quando se compartilha o mesmo endereço IP de e-mail, o IP de onde partiu o spam afeta todos e, durante algum tempo, suas mensagens de e-mail e as mensagens enviadas pelos fóruns do Moodle não serão recebidas pelos seus alunos. É preciso evitar que isso aconteça.

3. Instalar o Moodle em um servidor web comercial, em uma máquina semidedicada, ou 100% dedicada

Se o seu Moodle terá centenas de usuários entre professores e alunos, é recomendável que o ambiente de cursos fique em uma máquina que rode apenas o seu site (hospedagem dedicada), ou que seja, no máximo, compartilhada com dois ou três outros clientes (hospedagem semidedicada). Essas opções são mais caras, mas você poderá atender muitos alunos sem que haja problemas de desempenho. É preciso, no entanto, que você tenha alguém experiente em TI para supervisionar o funcionamento do site.

A maioria dos servidores web comerciais oferece contas desse tipo, que podem ser configuradas em seus níveis de armazenamento e processamento.

4. Instalar o Moodle em um servidor web comercial especializado em Moodle

É a opção que promete ser mais fácil e estável, pois conta com a gestão e suporte de profissionais especializados em Moodle.

Há cada vez mais serviços especializados em Moodle, tanto no Brasil quanto no exterior, que oferecem contas com níveis de desempenho para atender desde dezenas até milhares de usuários. Alguns ajudam, até mesmo, na configuração do ambiente e na capacitação de sua equipe.

Seguem exemplos de servidores web e consultorias nacionais especializados em Moodle:

http://madriproducoes.com.br/

http://gfarias.com/web/

http://www.educmedia.com.br/

http://www.crossknowledge.com/pt_BR/elearning/tecnologia/moodle.html

http://www.e-create.com.br/?moodlead=ecreate.general

http://www.virtualeducation.com.br (dica de Marco Antonio Alves Pereira)

https://moodle.com/cloud/ (dica de Gisele Brugger)

http://www.curso4u.com.br (dica de Carlos Camacho)

Uso de serviços gratuitos

Vale lembrar que o Moodle não é a única opção para quem deseja criar ambientes de apoio às suas turmas, sejam on-line ou presenciais.

É possível integrar, por exemplo, serviços gratuitos do Google para criação de páginas web – como o Google Sites ou o Blogger – com o Google Grupos (lista de discussão por e-mail).

O Google Drive permite, ainda, armazenar arquivos e editá-los de modo colaborativo.

Há também o Facebook, onde se pode criar grupos com fórum de discussão, armazenamento de arquivos, chat, álbum de fotos, etc.

Com bom planejamento, é possível criar cursos on-line completos ou apoiar cursos presenciais utilizando essas ferramentas.

 

E você, onde mantém sua instalação do Moodle? Caso tenha indicações, por favor, envie uma resposta logo abaixo!

 

Obs.: Não recebemos comissão por indicações dadas neste post. Tampouco garantimos a qualidade dos serviços citados ou a aplicabilidade das informações apresentadas. Vale sempre contar com o apoio de profissionais qualificados e realizar testes cuidadosos antes de lançar seus cursos.

 

Deixe seu comentário
The following two tabs change content below.
Régis Tractenberg é diretor e professor da Livre Docência Tecnologia Educacional.

Latest posts by Régis Tractenberg (see all)